segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Humano

Na minha vida, até hoje, não me arrependi nunca do que fiz.
Apenas do que fiquei de fazer e não fiz ou de, quando feito, não ter sido tudo o que poderia ter sido.
Nunca me arrependi de palavras ditas, antes de palavras que não soube inventar e ficaram por dizer.
Até hoje.
O arrependimento teria de pairar sobre mim como nuvem negra.
Escurecendo o meu presente enredado em teias de mentiras, ilusões e decepções.

Mas mesmo não ficando pedra sobre pedra, tropeçando nesse enredo, caindo e levantando, ou secando, como um rio cansado e represado, continuarei a ser o que sempre fui, mais diabo que anjo, levando nas minhas mãos, mesmo ténue, a promessa de eternidade que faz de mim mais humano.


Mais uma vez, e a propósito, a música... Neil Young e uma das suas maravilhas, 
Running Dry...


domingo, 15 de dezembro de 2013

...

Não sei quanto tempo a tristeza encherá de lágrimas a vossa recordação, não sei quanto tempo demorará para a serenidade das lembranças que um dia amanhecerá nos meus olhos.

Ainda vos sinto perto de mim, ainda não consigo aceitar o espaço onde vos deixei, contraponto irreal e frio da vida que levaram, da vossa vida que usufruímos.

E por todas as imensas coisas que nos deram nunca conseguiremos agradecer.


LUNA (11/08/2004 - 03/12/2013) - GIGI (06/05/2002 - 15/09/2013)





Mesmo que não existas

É para ti que escrevo.
Se ainda existires.
É a ti que amo.
Mesmo que já não existas.
Não me interessam outras
Interpretações com sentidos de plástico e "ses".

É a ti que reinvento e leio.
Em noites como esta
Ávido de te conhecer
Decorando os textos
Que na tua pele desenhas
Para mim.

É a ti que imagino sem cessar e ouço
Com uma surdez estranha
Para todas as outras
Ruidosas melodias
Que teimam em querer esconder o teu cantar.

Fazes parte de mim.
Deixa-me continuar a escrever em ti a minha história.
Deixa-me ler em ti o teu sentir.
Ouvir, até ao fim, o teu suspiro.


Olho e vejo o horizonte que quero desvendar.
Sem medo que o mundo acabe aí
Ou da existência de terríveis monstros marinhos
Que povoem as minhas mãos e me tolham o passo para as estrelas.

O teu corpo é vela enfunada pelos meus lábios,
As ondas que venço sem temor.
Oiço, serenamente, o teu canto.
E aporto, docemente, na tua praia
Aquela onde morreu a árvore que existiu um dia.


quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Para ti, que partiste

A morte é solitária.
A despedida, a partida.
Será que a companhia de quem amamos nesse preciso momento faz a diferença?
Será que sentem o nosso amor, o nosso carinho? Será que ajuda de qualquer forma na transição saber que somos amados?
Poderia ter feito mais por ti? Claro que sim, podemos fazer sempre mais quando deixamos de estar centrados no nosso umbigo.
Perdoa-me, por isso. Por ser preguiçoso, egoísta. Por assumir que não partirias já. Por ter esperança.
Cada minuto conta, eu sei. E cada segundo desses longos minutos devem ser aproveitados. Quantas vezes já aprendi isto e continuo a fazer sempre tudo ao contrário…
Agora é tarde. Resta apenas a lembrança e a dor que me acompanhará.
Já não estás cá para me perdoares, e eu suportaria melhor a tua ausência se soubesse que naquele momento foi importante para ti a minha presença.
Essa dúvida assombrar-me-á para sempre.

Espero ter aprendido a lição que não devemos esperar perdão mas, sim, mudar o que fazemos enquanto é tempo…


Para ti, e para mais alguém, porque a morte assume muitas formas... always on my mind...



quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Quem perdeu?




Neste jogo em que pensaste vencer
Em que julgaste ganhar
Quem perdeu foste tu
Apenas tu e nunca eu.




Quem de nós dois, uma boa pergunta...


Livre...


"Born free, as free as the wind blows
As free as the grass grows
Born free to follow your heart"



Born Free, dedicada a ti que nunca tiveste donos, mas sim companheiros na tua curta viagem...


segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Another world


Preciso de outro mundo
bem diferente
Um mundo onde possa acreditar
no que me dão a ouvir
Onde possa crer
no que me dão a ver
Um mundo bem diferente
Pode até nem ter palavras
ou pelo menos não as que magoam
só as mais doces e belas 
Um mundo sem medo da verdade
ou deste mal de errar
onde possa brincar correr amar
sem medo de cair
Preciso de outro mundo
onde possa acreditar


Pois é Antony... another world... (Numa versão ao vivo, em Cascais - 2012, em que tive o prazer de estar presente...)