sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Tudo seria, nada é


Não havia espaço onde parecia haver espaço
Não havia tempo onde parecia haver tempo
E tudo poderia existir onde nada existia
Apenas parecia
Sonho, ilusão
De um mundo que ruía
Agora a realidade 
das minhas mãos ásperas
Raízes no meu peito

Dos teus lábios rastro 

who wants to live forever?


Quantas faces tem o mal?




Quantas formas pode ter a maldade? Quantas caras? 
Descubro cada vez mais, improváveis, desconhecidas.
no mal que nos destrói, que nos desfaz.
Mesmo assim amamos o mal tornado carne.
Mesmo perdido e sem valor o nosso amor
na voragem sequiosa que nos esmaga
Mas não humilha!
Mais vale amar um dia do que nunca ter vivido.
Quantas faces tem o mal? Quantas máscaras podes ter?
Nestes jogos em que te divertes sou marioneta do diabo.


Wicked Games


quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Os sonhos perduram...




lembrando a minha juventude... boas e más memórias... 
os banhos da meia-noite na Parede
o comboio do meio em S. Pedro, violas, flautas, saxofone, pandeiretas
os charros, os speeds, os ácidos nas rochas de S. João
a areia que servia de cama, as estrelas de lençol
a guerra em áfrica, ao longe, irreal
a música sempre, os sonhos
quem diria que apesar do cansaço os sonhos ainda perduram...



The Who - Baba O'riley


quarta-feira, 27 de novembro de 2013

As árvores morrem de pé...





Dizem que as árvores morrem (geralmente) de pé.

Já os nossos pés traçam histórias na areia que desaparecem com a mais pequena onda.




Praia de Carcavelos

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Next time...


Já gastei todas as palavras por agora.
A noite já vai correndo o seu curso.
Mas lembrei-me de uma musiquinha.
Lembrei-me de falsidade, simulação, reserva mental.
Não caiam na tentação do "next time"...



segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Cinema King... Requiem


O Cinema King acabou.

Mais um espaço importante que desaparece levado pela voragem da modernidade, do culto da massificação, da crise económica e das absurdas medidas impostas para a combater (?).

Neste rio da tristeza, mais uns destroços que flutuam...


domingo, 24 de novembro de 2013

Roca

Neste rio não há margens que nos salvem


Este é um rio gasto, longo, sem meandros, depois de tudo arrastar.
Nado contra a corrente viva e solta ensanguentada de aluviões, mergulho, volto à superfície.
Respiro prestes a sufocar no meio dos escolhos e peixes que fugiram dos teus olhos.
Ao redor apenas rápidos onde as solas gastas de uma noite velha calcorreiam calçadas enforcadas em pedras soltas feitas de almofadas onde repousei outrora o meu corpo encostado a ti.
No murmúrio da água reconheço palavras, o teu canto.
Neste rio de muitas lágrimas, habita a tristeza, germina a vontade abatida pelo cansaço.
Não há margens que me salvem, só uma razão para acreditar.


Still I look to find a Reason to believe...





sábado, 23 de novembro de 2013

Falando em cósmico...



Quanto mais nos aproximamos das estrelas, mais sentimos essa força primordial, essa energia, mas mais probabilidades temos de nos queimar.
Depois, depois não fica nada.
Apenas a noite escura e negra, sem o brilho a que nos habituámos, perdidos esses seres estelares que ostentavas na impressão digital dos teus dedos, como dardos apontados à minha pele.
Apenas o frio gélido do vácuo, do absoluto nada, não aquele antes do génesis, em que o nada ainda tinha a capacidade imanente de tudo criar do nada.
Agora não existe Alfa, ínicio, criação ou re-criação. 
Vivemos no ómega, o fim, o nada que nasceu e morreu nada.
Somos cinza, poeira cósmica.
Some may say: C'est la vie!
Desejamos voltar a ser. Mas destas cinzas não haverá Phénix que ressurja...

As cinzas às cinzas... Ashes to ashes, novamente a fase andrógina e espacial de Bowie.




The Effect Of Gamma Rays On Mary-In-The-Moon Marigolds

Da influência dos raios gama no comportamento das margaridas, era o título em português do filme de 1972, com Joanne Woodward, realizado por Paul Newman, um drama familiar, baseado numa peça de Paul Zindel, sobre os sonhos de uma mulher de meia idade em concretizar uma vida melhor, focando ainda o relacionamento com as suas duas excêntricas filhas.
O título nada tinha directamente a ver com o filme mas, talvez por essa razão, nunca me tenha esquecido dele.
Com o tempo aprendi a apreciar a subtileza de Paul Zindel na escolha do título da peça.
Hoje em dia, e com maior acuidade, coloca-se o problema dos milhões de pessoas de meia idade com vidas vazias, sonhos por realizar e amores por encontrar.
Creio que não existem estatísticas, mas a minha percepção é que cada vez mais a faixa etária dos 45 aos 60 é fator de risco na nossa sociedade.

Eu incluo-me nessa faixa etária. É razão para me preocupar.
Ok, submeto-me, tranquilamente, à influência dos raios gama no comportamento das margaridas.
Depois de ter chegado perto das estrelas, de ter essa experiência quase cósmica de te amar, já não estranho nada.
Venham de lá os raios gama...


Por falar em cósmico...


Hello? Ground Control? Do you hear me?

David Bowie



sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Centésima


Para comemorar 100 publicações, o túnel do amor.

Onde será que fica?

Fiquem bem. Durmam bem.





quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Sobreviver


Como é que se aprende a viver depois da morte da alma?
Depois de nos terem estripado cirurgicamente as veias que nos fazem sonhar?
Viver, reviver, sobreviver?
É possível continuar a arpoar nuvens, traçar estradas na pele, descobrir horizontes?
É possível afastar este cansaço que corroí os olhos e seca os lábios?
Se já não tenho o que olhar e os lábios deixaram de ser o leito de uma corrente que nascia em ti.
Se os olhos os quero fechados olhando por dentro, para longe, e os lábios os quero selados despronunciando letras de um nome perdido.
Como se aprende a viver depois de nos terem morto?
Dão-se pés a um esquife feito de carne que deambula pelas veredas de uma cidade sem cor.
Dão-se mãos para dissecar as flores que definham fechadas dentro de mim.
Há um suave e doce odor nesta morte que emana das recordações.
E atormenta a minha sobrevivência.
De uma última dança que nunca será dançada.

Last dance - Neil Young


quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Partir


Por vezes é preciso partir para começar de novo.
Partir, não para esquecer o que não se pode esquecer, mas para viver a lembrança e a mágoa, se for preciso.
Partir, quando já não esperamos nada em estar parados.
Partir, para não prolongar despedidas...






Futebol, exageros e indignação


A forma indignada como alguns portugueses reagiram ao anúncio da Pepsi publicado na Suécia só tem paralelo ao exagero como reagiram ao próprio jogo e à vitória de Portugal.
Como já disse algumas vezes, futebol é só um jogo. Por muito importante que seja, movimentando milhões de euros, é só um jogo. Um jogo que não é a vida ou a morte de ninguém, a não ser daqueles que podem ganhar muito com as vitórias, mas que infelizmente se tem tornado de vida ou de morte na violência das claques.
E é assim, como um jogo, um espectáculo, um divertimento, que tem de ser encarado por pessoas equilibradas, de bom-senso. 
Ninguém duvida que o Cristiano seja bom jogador, para uns o melhor do mundo, para outros entre os melhores. Mas não é deus, não é rei, não é salvador da pátria coisa nenhuma, como se lê e ouve por aí. É apenas um jogador, num jogo, e não resolve nenhum dos problemas do país. A não ser que pensem que ir ao Brasil é a solução para que os mercados, por deferência ao "rei", peçam desculpa e, subservientes a sua alteza, baixem imediatamente os juros cobrados a Portugal.
Os exageros, as reacções emocionadas são admissíveis a "quente" no "momento", na "descompressão" de uma trajectória com muitos momentos negativos e num apuramento discutido em "play-off". A continuarem, depois disso, correm o risco de nos retirar a lucidez, o discernimento e nos afastarem das questões essenciais.
Quanto à Pepsi, não é invulgar as marcas portuguesas colocarem anúncios duvidosos, e até insultuosos, para com selecções de outros países, na véspera de jogos ou de competições em que a selecção portuguesa participa.
É raro ver quem se indigne com isso e peça desculpa.
A indignação não pode resultar de uma apreciação da importância mundial da marca ou de quem age (se somos nós ou os outros contra nós). Tem de resultar do facto, da atitude. E ser adequada às situações e aos contextos.
São estas indignações exageradas, estas reacções violentas despropositadas, que ajudam a gerar a violência a que assistimos hoje nos estádios à mínima provocação - ou mesmo sem ela.
Sinceramente, acham que a indignação portuguesa vai tirar o sono à Pepsi internacional? Que o mercado português tem assim tanta importância? Que se estão a ralar para quem diz que nunca mais vai beber Pepsi? Claro que isso é importante, mas para a subsidiária portuguesa que comercializa o produto internamente. 
Se até a coca cola ponderou (e ainda não está afastada de todo) a ideia de deslocalizar o engarrafamento para Espanha para racionalizar meios...
Bom-senso, pede-se. E é a palavra chave.
Dito isto, parabéns à selecção portuguesa. E nota negativa ao mau gosto dos publicitários suecos. Também os há por cá do mesmo calibre com anúncios a apelar à violência e ao "bullying", como os da "Danup não é para chatos".
E agora, que já leram isto, talvez queiram ir a correr fazer um "padrão" com o emblema da FPF e a imagem do CR para substituir aqueles que os nossos navegadores, e pasme-se, nem jogavam à bola, espalharam pelo mundo.

Celebração


Celebremos. 
É tempo de celebrar.
Celebremos o Amor.
Celebremos o que foi, é ou será.
Celebremos o início de um Amor ou o fim de um Amor
Celebremos o Amor.
Intenso, apaixonado, louco, doloroso, ansioso
maravilhoso
Infinito, eterno ou meteórico
misterioso
Celebremos o Amor.
Não celebremos mais nada.
Nem géneros, raças, credos, gostos
estados de alma
Celebremos apenas o Amor.
Genuíno, de entrega,
dádiva. Ponto final.



a propósito, bem velhinha - 1969, The first Time ever I saw your face
Roberta Flack



terça-feira, 19 de novembro de 2013

Love is that simple


Deixamos complicar o fácil.
Descompliquemos.
O amor é simples e fácil depois de inventado.
Basta vivê-lo.
Basta querer.
Mesmo que seja preciso aprender a simplicidade de amar.

Love, com John and Yoko





Cores




Delineio-te com traços suaves a carvão,

curva a curva e suaves planícies.

Cubro-te com óleos vibrantes e fortes.

Amanhã, talvez, de aguarelas intensas.

Vejo-te e vejo a vida com cores

que nem todos conseguem ou querem ver.

Fazes parte da palette que trago comigo,

onde mergulho.

Enquanto puder, desenharei e pintarei,

exultarei.

E os meus dias terão a tua cor.


Falando ao vento

Hoje quero falar de coisas diferentes.
Quero falar das flores que crescem nos meus ombros
imóveis, embriagadas pela vontade do sol.
Hoje quero falar de coisas diferentes.
Estou farto de viver "de" e "para ti".
Como se o ar que respiro fosse aquele que exalas, 
e me lembro bem, quente e tranquilo enquanto dormias junto a mim.
Como se a única música que entendo fosse essa
a da tranquilidade do ritmo do teu coração esperando a manhã nascer.
Hoje quero falar de coisas diferentes.
Quero falar de mim.
Porque podes apagar todas as minhas lembranças,
esquecer a minha voz, a tua cabeça no meu colo,
os meus dedos nos teus cabelos,
mas não podes apagar as tuas recordações em mim.
Hoje quero falar de coisas diferentes.
Talvez falando ao vento chegue até ti.

I  talk to the wind -King Crimson




Íbis-sagrado


Não sei porquê lembrei-me deste pássaro


"Os íbis são aves pernaltas com pescoço longo e bico comprido. São na maioria dos casos animais gregários, que vivem e se alimentam em grupo. Vivem em zonas costeiras ou perto de água, ricas nos seus alimentos preferenciais. 
De acordo com a tradição popular em alguns países, o íbis é a última ave a desaparecer antes de um furacão e a primeira a surgir depois da tempestade passa."

Lembras-te?
Como se nascessem os teus olhos no meu peito
cortando-me a respiração
e no teu corpo pétalas aveludadas e perfumadas
que eu colhia
Voávamos em silêncio no segredo da noite


Because, only because the world is round...



Para adormecer... e porque o mundo é redondo.
Ou seja vá por onde vá corro sempre o risco de voltar ao mesmo lugar...
Bons sonhos...


O Amor, existe?


Daniel Filipe escrevia sobre a "invenção do amor" com carácter de urgência.
Será que o Amor existe ou precisa de ser inventado? Ou, por tanto o invocarem em vão, está gasto, cansado e precisa de ser reinventado?
O amor não existe de "per si". Tem de ser inventado a cada momento, a cada descoberta, por cada um de nós.
E como todas as grandes invenções, o acaso joga um papel importante.
Por isso creio que procurar é um erro. Há coisas que não se procuram, encontram-se, descobrem-se.
Num acaso feliz, num virar de esquina da nossa vida, quando estamos desprevenidos, deparamos com essa coisa indecifrável, esse sentir a que convencionámos chamar de amor. E ele aí está, inventado a cada instante, renovando-se a cada momento com vida própria.
Por vezes rejeitamos a sorte, viramos as costas ao destino e continuamos em frente de olhos fechados, procurando qualquer coisa que nem nós próprios sabemos o que é, nem reconheceríamos se encontrássemos.
E continuamos, numa aparente felicidadezinha, por uma estrada que não vai dar a lado nenhum... e teimamos em seguir em frente...
Outros, como eu, estão num beco sem saída...

Boa noite!

Talking Heads

Road to nowhere...






segunda-feira, 18 de novembro de 2013

I'll go on...


Já vivi outonos melhores.
Aliás, este é o pior outono da minha vida.
São demasiadas coisas negativas a concorrer para a desgraça. 
Não uma desgraça qualquer, corriqueira, mas uma desgraça à portuguesa.
Daquelas que poderiam muito bem dar origem a um faduncho - agora património imaterial da humanidade - cantado pelas vielas de alfama ou, para ser mais chique, imortalizado numa daquelas vozes roucas de "madamas" entradotas, invariavelmente boémias donas de um qualquer afamado restaurante para turistas, que, ao fim da noite, se enchem de amigos-ex-amantes saudosistas que acabam a cantar à desgarrada a violência indisfarçada de amores mal sucedidos.
Pois é, uma desgraça das antigas. Uma tragédia que nem os gregos conseguiriam colocar defeito. Digam lá se eu não sou "so dramatic"!?
Mas, com dramatismo ou não, aguento. Vou aguentando. Já passei por muitas coisas más (consideravelmente superiores em número às coisas boas), e sempre me aguentei. No fio da navalha, mas aguentei.
E continuarei... loving you.


Não é, Alan Jackson (trocando isso dos olhos verdes por outra cor)? 








Estrelas


De manhã é difícil ver as estrelas e a esta hora muito menos.
Mas, pelo facto de não as vermos, não quer dizer que deixem de estar lá. 
Com o mesmo brilho e intensidade.
Mais ou menos como nós, como eu, como tu.
Nem sempre vemos as coisas que existem. Depende dos nossos olhos e da luz.
Por isso comecemos a semana olhando o céu e contando estrelas. Entre elas irei encontrar-te...


One Republic




Feitiços e feiticeiras


E já que falei em feitiços e são horas de dormir,  vem aí Feiticeira...
Para que o feitiço se prolongue. 
Por vezes não o queremos quebrar.

Luis Represas e Pablo Milanés


domingo, 17 de novembro de 2013

You know, I'm such a fool for you...


Como poderia ter reconhecido o turbilhão, o vórtice, no meio das águas tépidas e calmas do lago da tua alma onde me lancei enfeitiçado?
Como poderia ter reconhecido no cálice que me oferecias, o veneno doce que vertia dos teus lábios?
Como poderia ter reconhecido o precipício nos teus olhos quando o discernimento e a razão adormeceram?
E quis mais e mais turbilhão, mais veneno, mais precipício.
Fiz-te a vontade.
Cumpriu-se o tempo.
Vestiu-se a loucura de sanidade e perdi-me no rodopio envenenado das alturas em que me lançaste.
Ainda estou em queda. O fundo distancia-se a cada metro que caio. Não sei se algum dia encontrarei o teu chão.
You Know, I'm such a fool for you...


Ok, é este o mote para Linger e The Cranberries






Não ter uma razão


Não ter uma razão que explique um acontecimento é quase tão bom como ter dezenas de razões que se misturam, completam, contradizem, tornam tudo obscuro, complexo, confuso.
Não ter argumentos é tão válido como ter milhares de argumentos que nos vemos obrigados a organizar, catalogar, dar mais ou menos importância, e responder.
Não ter uma razão, aquele simples "porque sim!", é tão válido como longas discussões de onde não nasce a luz, apenas a ténue tentativa de desculpa adornada de pequenas mentiras e insinuações.
Há coisas que não têm explicação, não têm razão, não têm discussão.
Não ter uma razão é duro, mas honesto e simples. Directo.
O silêncio, pode ser uma grande resposta.

Why... pergunta Annie Lennox. E digo eu... why not?



Muitos "amores"



Para quase todos nós, na vida, há muitos "amores". Assim mesmo, com letra pequena.
Muitos amores que fazem parte do nosso processo de crescimento, de adaptação, de escolhas mais ou menos amadurecidas, mais ou menos conscientes, de formação da nossa personalidade.
Alguns nem chegam a amores. Nunca passam de um "gosto de ti", de um desejo, de uma vontade, que não se prolonga no tempo e, por vezes, nem deixam marca ou recordação.
Já os "amores", mesmo esses, de letra pequena, deixam sempre uma marca, boa ou má, uma recordação, mais ou menos amarga, mais ou menos doce.
Mas, depois, há aquela coisa única, a paixão da nossa vida, a pessoa certa. Aquela com que tudo se acomoda, tudo se encaixa.
Essa, é outra história. Uma história maior entre muitas histórias.
Uma história que fará para sempre parte da nossa verdadeira História, com letra grande.
Por sua vez, um Amor, sem aspas e, também, com letra grande.
Tão grande que não cabe em nós. Tão grande como a dor de o perder, com as suas recordações quer sejam amargas ou doces, sempre devastadoras.
Esse, é o Amor de uma vida, o Amor da nossa Vida.
Com letra grande.

Quem soube cantar esse amor foi o Freddie. Por isso, os Queen,




 com Love of my Life. Apropriado.



Esquecer



Não é um pedido usual.
Ajuda-me a esquecer. Tu que te mostraste perita no esquecimento. Que consegues apagar, rasgar, sem olhar para trás.
Preciso da tua capacidade, dos teus conhecimentos.
Diz-me como consegues, que artes utilizas, os meios, os truques.
Porque acho impossível esquecer-se quem verdadeiramente se ama.
Mas tu não. 
Ou nunca amaste.
Preciso, portanto, que me ensines, me treines.
Me mostres que estou errado. Que é possível esquecer.
Mesmo que seja preciso uma racionalidade, uma insensibilidade e uma frieza que não possuo.
Que me ensines a dizer hoje que te amo e, amanhã, que não existes.








Nunca cheguei a conhecer-te



As pessoas têm o estranho hábito de quererem fazer os outros acreditar que não são o que são mas o que gostariam e não têm capacidade ou vontade de ser.
Disfarçam-se, maquilham-se, embelezam-se, julgando que poderão manter artificialmente uma identidade e esconder para sempre a sua origem, o seu verdadeiro interior.
Esquecem-se que mais tarde ou mais cedo cederão ao seu "eu". E as consequências podem ser catastróficas.
Para os que os rodeiam, para os que os amam e para eles próprios, numa busca constante de uma personalidade, de uma vida, que não têm nem nunca poderão ter, permanecerão eternamente vivendo apenas momentos de felicidade e prolongando uma infelicidade constante, persistente, angustiante, procurando sofregamente nas coisas mundanas encontrar o que nunca encontrarão dentro de si nem têm capacidade para dar.
Não quero dizer com isto que o que "somos" é mau. Nem sempre é. E se formos verdadeiros desde o início, se nos revelarmos, nos dermos a conhecer, o que estamos dispostos a dar, talvez gostem de nós assim e nos amem apesar dos defeitos, "no matter what"...
E sempre será melhor do que descobrir um dia, dolorosamente, que a pessoa a quem nos entregámos nunca a chegámos verdadeiramente a conhecer.
Não cometamos o maior pecado, fazer que nos amem pelo que não somos.
Mostremos o que está escrito no nosso coração, o que queremos, o que temos para dar, enquanto temos tempo para isso.
A verdade é sempre melhor do que a mais doce das ilusões.

Como canta Gerry Rafferty, o que está escrito nos nosso corações é tudo o que interessa... 









O verso em mim


Eu não escrevo para vós
não quero saber se me lêem.
Rasgo as palavras vazias nas paredes nuas
cárcere dos meus olhos.
Que é feito do meu corpo?
Já não reluz nas madrugadas adiadas.
Que é feito dos teus lábios fechando-se sobre os meus?
Tenazes sem perdão lançadas nas paredes vazias
onde releio sem cessar os meus versos nus
mãos viajando em círculos virtuais de estranha psicose
desenhando janelas que nunca abrirão
corroídas por olhos abertos
presos no cimento frio.
Não escrevo para ninguém
nem quero saber se me lês.
Dentro de mim colo os pedaços rasgados
das palavras do poema que não sei escrever e nunca ouvirás dizer.

RV Maio 2011

Overcome... para despedida...




sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Kristallnacht!

No dia 9 de novembro passaram 75 anos sobre a noite de cristal, um episódio negro não só da história alemã como da europa e do mundo.

Lamentavelmente pouco se falou do assunto. Esquecer o que aconteceu é abrir a porta para que coisas semelhantes voltem a acontecer.

Aqui fica a minha homenagem aos que morreram nesse dia com a certeza que as suas mortes nunca serão esquecidas.









"You can't handle the truth!"


Esta é a linha tornada célebre por Jack Nicholson interpretando o papel do coronel Nathan R. Jessup no filme "few good men".
Hoje, é como se fosse dirigida directamente a mim.
É verdade, talvez o problema seja esse, não conseguir lidar com a verdade ou, melhor, não conseguir suportá-la.
A verdade que conheço alimenta a desilusão.
Existem desilusões que nos inspiram - pois, intimamente, sabemos que, por mais dolorosas que sejam, são transitórias - sabemos que é um percurso que temos de caminhar e aprender.
Por mais dramático que seja o que escrevemos, a escrita está repleta de esperança nas entrelinhas. Esperança por sabermos que virão dias melhores, novos horizontes.
Mas contigo tudo foi diferente. A inspiração veio da tua presença, de te sentir respirar.
Por isso esta desilusão é totalmente diferente e atípica e, em vez de me inspirar, cansa-me, esgota-me. Sem esperança.
Não sei se a inspiração voltará. Se voltarei a ter a necessidade de escrever e não apenas sentir-me obrigado a escrever.
Provavelmente não. Não consigo suportar esta verdade. Seria preciso sentir-te respirar outra vez.





Avec le temps




Dorido, sofrido, magoado, revoltado, como só ele...


Léo Ferré

Avec le temps... estava a apetecer-me ouvir isto.
 Como não tenho sono e gosto de pensar que não sou egoísta, não quero privar ninguém da beleza.

Durmam bem...


I believe in some kind of path...


Time to go to bed... com uma ajuda do Nick Cave

Into my arms


quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Touch me



Há poucas coisas que me surpreendam.
Neste meio século (e mais qualquer coisa) de vida já vi de tudo, experimentei muita coisa.
O final dos anos 60 e os anos 70 foram pródigos em experimentações.
Tive muitas amizades. Algumas acabaram por acabar, outras acabaram porque a vida resolveu pregar uma das suas partidas favoritas que, mais cedo ou mais tarde, todos temos de enfrentar. 
O que é curioso, talvez porque fiz tudo o que queria fazer - com uma excepção que falarei noutra altura - é que, sinceramente, não tenho medo da morte.
A morte, o momento exacto, é apenas um e acaba tudo.
É por isso que da vida é que temos de ter medo. E eu tenho, confesso.
Quando entramos neste mundo ninguém tem a amabilidade de nos dar um manual de instruções. Nem dentes nos dão. E temos que ir aprendendo ao longo do tempo a difícil arte de nos equilibrarmos mantendo esse outro equilíbrio, o mental.
Como dizia o Rei Lagarto, daqui ninguém sai vivo. 
Mas o busílis está naquele intervalo de tempo entre a entrada e a saída.

Ora por falar em Rei Lagarto...




Sonhos


Bem, hoje, continuando na linha das idiotices de que é difícil afastar-me, apetece-me falar sobre sonhos.
Sei que com a proximidade das festividades do natal muitos estarão a pensar: - sonhos!! humm!!
Calma. Não é desses sonhos de pastelaria que estou a falar, infelizmente. Seria muito mais simples e nada penoso, excepto quanto aos sonhos da minha tia Lucinda a que dávamos o nome de pesadelos, de tal forma eram duros. Coitada, excelente pessoa, fazia-os com a maior boa vontade e gosto e insistia em que os comêssemos... 
Nem estou, por outro lado, a falar dos sonhos como actividade normal (nem para todos) de criação de imagens ou ideias durante o sono.
Falo, sim, de sonhar acordado. De, mesmo não sabendo porquê, nos sentirmos atraídos por um ideal que desejamos concretizar, por um estado em que quereríamos permanecer. Em suma, sonho enquanto objectivo final e constante que configuramos de felicidade quase absoluta.
É verdade que esses sonhos se baseiam muitas vezes em fantasias sem correspondência com uma possível realidade futura.
Mas mesmo assim nós sonhamos.
Bem, nem todos. Alguém me confessou, faz pouco tempo, que não tinha sonhos, não idealizava um futuro que desejasse ou entendesse como sendo feliz.
É uma coisa que me faz alguma confusão. Não ter sonhos é como amputar a nossa alma, recusar-lhe imaginar que poderá ser completa e feliz.
Sei que a realidade pode ser muito dura e destruir qualquer sonho que eventualmente acalentemos. Talvez por isso haja quem opte por se blindar, por se proteger, negando sonhar.
Talvez, na minha miséria, eu tenha tido muita sorte. Tive um sonho e realizei-o, apesar de saber que isso não voltará a acontecer pois falta-me um elemento essencial que permitiu a sua realização. E é frustrante, demolidor, saber que não vamos poder voltar a esse estado.
Podem chamar-me o que quiserem, mas não mudará o que sou e que prefiro mil vezes a desilusão, a dor e o vazio, do que nunca ter sonhado, de nunca te ter conhecido.

E assim, como é hábito, introduzo... Dreamer, Supertramp




Incongruências


Um abusador a cantar sobre a importância da mulher.

Incongruências...




Quem canta seus males espanta! Mas nem sempre...


Haja voz para cantar e vizinhos com paciência
Mas nem sempre os males se espantam
Há vozes que não nos largam



Never say never...


Quantas vezes dizemos nunca?
Demasiadas vezes. 
Tantas vezes vai o cântaro à fonte...
Um clássico para embalar a manhã.



Walking away


Uma sugestão para reflectir para iniciar o dia...

Walking away

Hope to find a better day...



Vagueando


Lisboa

- 02.01 h -

O Milagre da Multiplicação dos Pães Revisitado

Era um dia como outro qualquer na Galileia.
Jesus (o da Nazaré, não o de cá), estava em amena cavaqueira com os seus amigos quando reparou que a cerveja tinha acabado.

- Que chatice, e nem há jogo para ver hoje, disse Pedro.
- Mesmo que houvesse, retorquiu Mateus, o benfica não vai ganhar a liga Europa e, para mais, ainda não inventaram a televisão...
 Todos anuíram com Mateus que, mais uma vez, mostrou enorme perspicácia.
- E se fossemos dar uma volta?, alvitrou Jesus.
 - Fixe, aplaudiu Lucas, deixem-me ir só buscar o telemóvel.
- Não precisas, avisou Simão (o da Nazaré, não o do Atlético de Madrid), ainda não inventaram as operadoras de serviços móveis!
- É verdade, disse Lucas, que cabeça a minha! E, ainda rindo pelo seu disparate (não comparável aos de Pedro, o Coelho, não o da Nazaré), pegou no seu IPad, seguindo lesto atrás dos seus companheiros que já adentravam pelo deserto.
O Sol brilhava. Não se avistava um soldado romano por quilómetros em redor.
Passadas umas horas chegaram ao sopé de um monte de altura considerável. A fome já apertava, e os estômagos dos discípulos roncavam de tal maneira que assustavam todos os seres vivos naquela parcela do deserto.
- Por amor a mim, disse Jesus, peguem na maior pedra que encontrarem e subam ao alto deste monte!
Todos os discípulos pegaram em pedras pesadíssimas e começaram a subir, esfomeados e sob um sol escaldante.
Todos não. Judas, farto destas merdas de provas de amor, procurou a pedrinha mais pequena e subiu o monte sem esforço, ficando à espera dos restantes companheiros que se arrastavam penosamente encosta acima.
Quando, por fim, se encontraram todos juntos no topo do monte, Jesus reuniu-os e disse:
- Meus irmãos, em verdade vos digo, quem me ama será recompensado. As pedras que trouxeram as transformarei em pão para saciar a vossa fome!
Meu dito, meu feito. As enormes pedras carregadas por estes discípulos fidelíssimos transformaram-se em suculentos pães que, imediatamente, todos começaram a devorar.
Todos menos um. Judas, que só trouxera uma pedrinha no bolso do seu balandrau, viu-se apenas com um niquinho de pão que mal cabia na cova de um dente. Comeu, esfomeado, aquele pedacinho de pão (antes que alguma galinha do Fernando Nobre lho roubasse) por entre resmungos e amaldiçoando a sua sorte.
- São horas de regressar. O sol já se põe e a Madalena não gosta que eu ande na rambóia com os meus amigos e chegue tarde a casa - Assim falou sabiamente Jesus -, e vocês, meus amados discípulos, aprenderam hoje que os esforços em meu nome podem recompensar!
Passaram alguns dias e novamente Jesus e seus amigos foram passear no deserto.
Assim como todos os caminhos iam dar a Roma, também no deserto todos os caminhos iam dar ao sopé do mesmo monte.
- Por amor a mim, disse Jesus, peguem na maior pedra que encontrarem e subam de novo ao alto do monte!
Num "déjà vu" cheio de misticismo, todos os discípulos pegaram em pedras pesadíssimas e começaram a subir o monte, esfomeados e sob um sol escaldante
Judas, que podia ser traidor mas não era parvo, lembrando-se da fome que passara dias antes, pegou na maior pedra que encontrou.
Decorreu mais de uma hora até que conseguiu chegar, completamente extenuado, ao cimo do monte, onde já se encontravam Jesus e os demais companheiros.
Ofegante e suado, Judas sentou-se aguardando a transformação da sua enorme pedra (a maior de todas) em pão, antecipando uma lauta refeição.
Mas o tempo passava e Jesus nada fazia discutindo com Pedro a situação económica e a intervenção do FMI (fundo monetário imperial) na Galileia.
- Jesus! - interpelou Judas - Quando transformas as pedras em pão que a fome aperta e nos ensinas qualquer coisa útil?
Ouvindo isto Jesus olhou para Judas com aquele ar de... de... Jesus (não o do benfica, mas sim da Nazaré) e respondeu:
- Em verdade te digo Judas, hoje não há lição a tirar, viemos apenas curtir. Por isso trouxe sandes de queijo para todos!

RV - Abril de 2011