segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Na noite...




sábado, 23 de setembro de 2017

Voltaremos

Desisto.
Sou um esquisso no horizonte uma sombra na aragem que deseja a eternidade.
Insisto na presença do cheiro das flores, da terra molhada, dos cachos selvagens de maçãs, da lonjura infinita das montanhas.
É aí, não sei onde, não sei quando, que olharemos um para o outro e voltaremos a encontrar-nos.

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Anos-Luz...

Os sonhos abraçaram as estrelas. E consumiram-se no seu forno galáctico.
Já não são nada. Desprezados. Mais valeriam planetas estéreis e gélidos, inabitados que são os sentidos.
Nunca chegaste a entender.
Anos-luz de (in)diferença...

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Desenhar a preto e branco

Reponho as coisas nos seus devidos lugares
Os meus dedos que percorreram as noites
Trauteando futuros e sonhos.
Reconstruo o templo das ilusões
Agora, sem inocência, com riscos e traços a preto e branco. Admito algum cinzento. Mas nada de cor. Até o sangue será escuro como as manhãs que se libertam do alvorecer, húmidas e frias.
Admito também algum ruído. A música desvaneceu-se. Cansei-me de acordes vibrantes e melodias. A idade não permite mais embora estupidamente se tenha permitido algumas veleidades com voos breves e incertos em pautas de paixão.
Dir-me-ão que o contrário de tudo que desenho acabará por ser o mesmo que o nada de agora. É certo. Mas pelo menos terá um rumo definido e não o vogar sem leme na tempestade. Sem esperar nada a não ser a viagem sem sobressaltos.
Talvez abrace o vento. Talvez beije as nuvens.
Já caí muitas vezes. Desde que não olhe para ele o precipício não me assusta.

terça-feira, 16 de maio de 2017

Azimute



Embarco
Sigo a rota no horizonte que outros olharam e traçaram
Na amurada a lua espreita
espelhando a água que as minhas mãos beliscam
Parto
E não chego
Olho e não há fim no desenho das ondas
Encontro-me
Em caminhos que tu não trilhas
Desencontro
Sempre foi assim
Lanço âncora 
desapareço na espuma
Ouve, há um murmúrio…

.

sábado, 22 de abril de 2017

If it be your will

Se for a tua vontade
Que eu não fale mais
E a minha voz emudeca
Como foi antes
Eu não falarei mais
E obedecerei
Até que me leves
Se for a tua vontade...
L. Cohen

If it be your will

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Destinos paralelos


Há linhas paralelas na noite
Tracejadas
Geometria variável que desenho e pinto
(aguarela salgada e fria)
Na tela imaginária que trago guardada
Por dentro das paredes que me olham
Incrédulas dos tijolos e cimento
Que as consomem
Com ar de quem se esqueceu
Momentaneamente da tristeza
Na escuridão do seu indeterminável destino.
Eu como um deus determinando
Se não for antes
Que as linhas que traço com dedos invisíveis
Se encontrem e se amem por fim no infinito.