Procuro o deserto nos meus olhos.
Combinam com as ruas desertas palmilhadas em rumos cegos e sufocados.
Supostamente perdidos, eu e os fantasmas que guiam os passos pesados e incertos do que foi o que não chegou a ser.
Apenas névoa que trespassa o sonho.
Sôfrego demoro-me ouvindo o som cavo da água que desliza na minha pele.
Qualquer som é bem-vindo nesta surdez disfarçada.
domingo, 28 de agosto de 2016
Deserto surdo
terça-feira, 3 de maio de 2016
REQUIEM
Há lâminas onde nasceram flores debruadas nos penhascos à beira-inferno.
E é doce o encanto de voar até ao fundo de lábios salgados sem saber quem sou.
Talvez amanhã sonhe o fim do holocausto em que vos sacrifico e à minha hipocrisia.
Talvez amanhã acorde e seja eu.
segunda-feira, 2 de maio de 2016
Rumo ao infinito
Há um navio que viaja sem destino e só conhece o ancoradouro.
Não se orienta pelas estrelas num céu negro de perdões.
Vai saltitando calmamente na tempestade amparado pelos teus braços como trepadeiras na noite.
A confiança que deposita nos teus olhos sossega o desconhecimento que tem do rumo e do horizonte no final da história. Nunca conheceu um tempo assim de calmaria no meio de ventos gigantes e vagas colossais.
Um mar que enfrenta confiante. É teu o leme, a bússola e o compasso nesta dança. O teu sorriso traça o mapa.
Rumo ao infinito.
Não se orienta pelas estrelas num céu negro de perdões.
Vai saltitando calmamente na tempestade amparado pelos teus braços como trepadeiras na noite.
A confiança que deposita nos teus olhos sossega o desconhecimento que tem do rumo e do horizonte no final da história. Nunca conheceu um tempo assim de calmaria no meio de ventos gigantes e vagas colossais.
Um mar que enfrenta confiante. É teu o leme, a bússola e o compasso nesta dança. O teu sorriso traça o mapa.
Rumo ao infinito.
quarta-feira, 2 de dezembro de 2015
Lentamente à descoberta
Lentamente descubro quem sou
Distraído das árvores que tombaram até chegar nos teus olhos
Eu
que tantas vezes pensei ter aportado
e outras tantas apenas encontrei folhas secas
mirradas do espanto sombrio de uma doca sem saída
prenhe de corpos esquecidos
submersos na ferrugem vermelho vivo
dos anos que levam encalhados na esperança
Nunca te perdi
não se pode perder o que nunca antes se teve
Não te vou perder
Junto a ti
percorro a calma que nunca antes conheci
quarta-feira, 29 de abril de 2015
Hang Son Doong
quero a profundidade
quero a altitude
a largura o comprimento
o verde e o azul do mundo
o ar e a água
os anjos e os deuses
a alegria e a tristeza
o choro e o riso
e conquistar o mundo no teu corpo
quero a altitude
a largura o comprimento
o verde e o azul do mundo
o ar e a água
os anjos e os deuses
a alegria e a tristeza
o choro e o riso
e conquistar o mundo no teu corpo
sábado, 25 de abril de 2015
Sombra líquida
há qualquer coisa em ti
que me traz aqui
nascente escavando o leito
na força de serpentear pelas terras
eu, uma sombra líquida
sem diques nem obstáculos
cobrindo & acariciando a tua pele
sonhando a tua voz
turbilhão ondulante no teu corpo
terça-feira, 7 de abril de 2015
Campo de papoilas
(foto: campo de papoilas - Hélder Cordeiro)
dás-me o sopro do teu sorriso
enlaçado no meu olhar por dentro do teu sonho
como se fizesse amor com a noite
e o teu corpo a madrugada
num campo de papoilas
(entretanto há múltiplas luas a nascerem no teu ventre)
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