segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Decisões

22 de agosto 2016

Alguém me disse que tomar decisões pode ser doloroso.
É verdade, quando o querer, o gostar e o que "desejamos poder ser" não se conjugam. Não basta gostar. Tem de se querer, o suficiente para poder ser.
Tomar decisões pode ser doloroso, muitas vezes é. Mas a vida ensina-nos que temos de as tomar, mesmo quando lutamos para não o fazer.
E daquelas máximas facebookeanas tão populares como verdadeiras é a de não colocar em primeiro lugar quem não nos coloca em primeiro lugar. Porque a vida, apesar da ginástica que somos forçados a fazer, não é uma disciplina olímpica... dela ninguém sai vivo e não há "segundos lugares".
Alguém disse que tomar as decisões certas não é doloroso? Mesmo quando o sol se refracta na água límpida...
Portanto, não se esqueçam nunca de tomar as decisões certas. Custe o que custar. Doa o que doer.
Dizia King Lizzard que "daqui ninguém sai vivo". Por isso devemos colocar em primeiro quem nos coloca em primeiro e não dar importância a quem só nos oferece prata ou bronze. Mesmo que doa, mesmo que custe.
Daqui ninguém sai vivo. Aliás, enquanto não houver colónias na lua ou marte, daqui ninguém sai...


Esperei

23 de agosto 2016

Esperei
Que a noite não existisse
E os dias voltassem no tempo
Maré e encanto
Nascendo de um nada
Flutuando docemente nos teus dedos
Esperei
Como se a distância fosse vento
Aroma leve e doce
Do fluído translúcido momento
Que nos traria segura e lentamente
Ao lugar certo
Esperei


Poema quase infantil

24 de agosto 2016

Perguntava a folha
Que voava no vento
- vento, porque me tratas assim?
Assobiando, rodando
Levando-a mais alto ainda
Responde-lhe zunindo o vento
- se te largar e esquecer
Nem que seja um momento
Cais, secas, morres por fim
Mas no meu sopro e abraço
Rodopiando comigo no espaço
És livre, nunca te esqueço
Amo-te, vives
Danças para mim...


domingo, 28 de agosto de 2016

Apenas

O meu nome é não ser nome.
Não existir boca que me chame ou pronuncie.
Não ser lado nenhum no espaço trêmulo em vibração permanente das mãos.
Criar o vazio sem peso gélido na memória.
Encontrar-me onde nada me encontre.
Apenas.

Deserto surdo

Procuro o deserto nos meus olhos.
Combinam com as ruas desertas palmilhadas em rumos cegos e sufocados.
Supostamente perdidos, eu e os fantasmas que guiam os passos pesados e incertos do que foi o que não chegou a ser.
Apenas névoa que trespassa o sonho.
Sôfrego demoro-me ouvindo o som cavo da água que desliza na minha pele.
Qualquer som é bem-vindo nesta surdez disfarçada.

terça-feira, 3 de maio de 2016

REQUIEM




Há espelhos que me perseguem e eu reflito-me neles. E há sorrisos que se abrem com ranger de mecanismo enferrujado cor de sangue. E há olhos por dentro das coisas, os vossos, inocentes, olhos nos meus olhos e pensamentos que tocam a ponta dos dedos  numa estranha distância e a pele tange e soa como tambor anunciando o fim do ciclo que não chegou a ser.
Há lâminas onde nasceram flores debruadas nos penhascos à beira-inferno.
E é doce o encanto de voar até ao fundo de lábios salgados sem saber quem sou.
Talvez amanhã sonhe o fim do holocausto em que vos sacrifico e à minha hipocrisia.
Talvez amanhã acorde e seja eu.



segunda-feira, 2 de maio de 2016

Rumo ao infinito



Há um navio que viaja sem destino e só conhece o ancoradouro.
Não se orienta pelas estrelas  num céu negro de perdões.
Vai saltitando calmamente na tempestade amparado pelos teus braços como trepadeiras na noite.
A confiança que deposita nos teus olhos sossega o desconhecimento que tem do rumo e do horizonte no final da história. Nunca conheceu um tempo assim de calmaria no meio de ventos gigantes e vagas colossais.
Um mar que enfrenta confiante. É teu o leme, a bússola e o compasso nesta dança. O teu sorriso traça o mapa.
Rumo ao infinito.