quarta-feira, 29 de abril de 2015

Hang Son Doong

quero a profundidade
quero a altitude
a largura o comprimento 
o verde e o azul do mundo
o ar e a água
os anjos e os deuses
a alegria e a tristeza
o choro e o riso
e conquistar o mundo no teu corpo





sábado, 25 de abril de 2015

Sombra líquida



há qualquer coisa em ti 
que me traz aqui
nascente escavando o leito
na força de serpentear pelas terras
eu, uma sombra líquida
sem diques nem obstáculos
cobrindo & acariciando a tua pele
sonhando a tua voz 
turbilhão ondulante no teu corpo


terça-feira, 7 de abril de 2015

Campo de papoilas

(foto: campo de papoilas - Hélder Cordeiro)

dás-me o sopro do teu sorriso
enlaçado no meu olhar por dentro do teu sonho
como se fizesse amor com a noite

e o teu corpo a madrugada
num campo de papoilas

(entretanto há múltiplas luas a nascerem no teu ventre)



terça-feira, 31 de março de 2015

Não-passa-tempo




a tua mão na minha mão
a tua boca na minha
(frequentemente a língua intromete-se também)
abro os olhos nos teus olhos

o meu não-passa-tempo preferido



sexta-feira, 27 de março de 2015

Razões e motivos

dás-me uma razão
tão breve como húmida
entreaberta nos teus lábios

dás-me um motivo              
tão justo como quente    
na circunferência da minha língua na tua

entre motivos e razões o teu abraço é âncora 
a estrada no teu corpo onde viajam os meus dedos





quinta-feira, 26 de março de 2015

O infinito na tua boca



lá está o mar
sentado nas rochas a olhar para dentro de nós
traz nos cabelos o infinto
reparo em ti no abraço da areia
nos salpicos de sal na tua pele
e como contrastam com o sabor da tua boca
Como é que o infinito passou para ti?


quarta-feira, 25 de março de 2015

Furacão



os prédios revolvem nas árvores e
as árvores têm os prédios como frutos
balançando ao vento encarcerados nos braços
do dia
E há olhos a crescer na relva e o sabor é o da tua língua
serpenteando na minha boca
o teu riso é som de furacão vivo
vou deixar que a tempestade acrescente e amaine o meu corpo no teu