quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Lentamente à descoberta



Lentamente descubro quem sou
Distraído das árvores que tombaram até chegar nos teus olhos
Eu
que tantas vezes pensei ter aportado
e outras tantas apenas encontrei folhas secas
mirradas do espanto sombrio de uma doca sem saída
prenhe de corpos esquecidos 
submersos na ferrugem vermelho vivo
dos anos que levam encalhados na esperança

Nunca te perdi
não se pode perder o que nunca antes se teve

Não te vou perder

Junto a ti
percorro a calma que nunca antes conheci



quarta-feira, 29 de abril de 2015

Hang Son Doong

quero a profundidade
quero a altitude
a largura o comprimento 
o verde e o azul do mundo
o ar e a água
os anjos e os deuses
a alegria e a tristeza
o choro e o riso
e conquistar o mundo no teu corpo





sábado, 25 de abril de 2015

Sombra líquida



há qualquer coisa em ti 
que me traz aqui
nascente escavando o leito
na força de serpentear pelas terras
eu, uma sombra líquida
sem diques nem obstáculos
cobrindo & acariciando a tua pele
sonhando a tua voz 
turbilhão ondulante no teu corpo


terça-feira, 7 de abril de 2015

Campo de papoilas

(foto: campo de papoilas - Hélder Cordeiro)

dás-me o sopro do teu sorriso
enlaçado no meu olhar por dentro do teu sonho
como se fizesse amor com a noite

e o teu corpo a madrugada
num campo de papoilas

(entretanto há múltiplas luas a nascerem no teu ventre)



terça-feira, 31 de março de 2015

Não-passa-tempo




a tua mão na minha mão
a tua boca na minha
(frequentemente a língua intromete-se também)
abro os olhos nos teus olhos

o meu não-passa-tempo preferido



sexta-feira, 27 de março de 2015

Razões e motivos

dás-me uma razão
tão breve como húmida
entreaberta nos teus lábios

dás-me um motivo              
tão justo como quente    
na circunferência da minha língua na tua

entre motivos e razões o teu abraço é âncora 
a estrada no teu corpo onde viajam os meus dedos





quinta-feira, 26 de março de 2015

O infinito na tua boca



lá está o mar
sentado nas rochas a olhar para dentro de nós
traz nos cabelos o infinto
reparo em ti no abraço da areia
nos salpicos de sal na tua pele
e como contrastam com o sabor da tua boca
Como é que o infinito passou para ti?